
Um veículo de distribuição vive de detalhes que raramente aparecem numa fotografia: a altura do piso de carga, a rapidez com que se entra e sai da cabine, a largura útil entre as portas, a forma como uma palete cabe no compartimento ou o tempo que se perde quando é preciso parar para carregar. É nesses pontos que a Kia quer colocar o novo PV7.
Apresentado no IAA Transportation, em Hanôver, o PV7 é o segundo modelo da gama Platform Beyond Vehicle (PBV) da marca e deverá chegar à Europa na segunda metade de 2027. Surge acima do PV5, com maiores dimensões, mais capacidade e uma estrutura concebida para servir desde uma frota de distribuição a um transporte de passageiros, uma oficina móvel ou uma conversão especializada.

A Kia não esconde a ambição: depois de entrar no mercado dos comerciais ligeiros elétricos, quer construir uma gama capaz de responder a atividades diferentes sem obrigar cada operador a partir de uma solução de compromisso.

Carga, passageiros e conversões
O PV7 será comercializado nas versões Cargo e Passenger. Na variante de carga, haverá configurações Compact, Long e High Roof. A versão Long anuncia até 6,1 m³ de capacidade, enquanto a High Roof sobe para 8 m³. A carga útil máxima indicada pela marca é de 1165 kg na Long e de 1200 kg na Compact.

A versão Long pode transportar até três europaletes e tem uma altura de acesso ao compartimento de carga de 550 mm. Para quem trabalha todos os dias em distribuição, este dado pode pesar tanto como a autonomia: menos esforço em cada entrega significa menos desgaste acumulado ao longo de uma jornada.
O PV7 Cargo estará disponível com dois ou três lugares à frente. Na configuração de três bancos, o encosto central pode rebater para criar uma superfície de trabalho. Há ainda uma antepara com abertura para carga, portas traseiras de abertura completa ou portão de abertura vertical, trancagem independente da zona de carga e monitorização remota do estado das portas.

A variante Passenger destina-se a operadores de transporte, aluguer, turismo e serviços empresariais. Terá até nove lugares nos mercados globais e contará com diferentes arranjos de bancos, incluindo um sistema de calhas longas e remoção facilitada na versão de sete lugares.
Autonomia para sair da cidade
A base do PV7 é a plataforma E-GMP.S, desenvolvida pela Kia para os seus PBV. O piso plano permite ganhar espaço no interior e facilita a criação de carroçarias e conversões distintas sobre uma estrutura comum.

Estão previstas duas baterias de níquel-cobalto-manganês, com 71,5 kWh e 96,2 kWh. O motor elétrico dianteiro debita até 200 kW e 420 Nm de binário. A Kia anuncia para o PV7 Cargo Long Range uma autonomia superior a 460 quilómetros, embora o valor dependa ainda de homologação WLTP.
A arquitetura de 800 V permite carregamentos rápidos de 10% a 80% em cerca de 20 minutos, num posto de corrente contínua de 350 kW. O modelo terá uma porta de carregamento dianteira para corrente alternada e contínua e poderá dispor, em opção, de uma segunda tomada lateral de corrente alternada. É uma solução simples, mas útil em parques onde a posição do carregador nem sempre coincide com o lado mais conveniente da viatura.

O sistema V2L permitirá ainda alimentar ferramentas e equipamentos a partir da bateria do veículo. Para uma equipa de manutenção, assistência técnica ou montagem no terreno, pode evitar o recurso a um gerador.
O veículo como ferramenta de trabalho
A Kia apresenta o PV7 como uma peça de um sistema maior. A marca prevê disponibilizar ferramentas de gestão de frota, carregamento, manutenção e operação diária através de um portal dedicado, além de monitorização em tempo real e diagnóstico preditivo.
A utilidade destes serviços será medida no terreno. Uma frota não ganha disponibilidade por ter mais informação num ecrã; ganha-a quando essa informação evita uma paragem, antecipa uma avaria ou permite reorganizar uma rota antes de o problema chegar ao cliente.

No habitáculo, a Kia procurou responder a quem entra e sai da viatura dezenas de vezes por dia. A posição de condução, o degrau e a pega no pilar A foram desenhados para facilitar esse movimento repetido. Os ecrãs de 12,9 e 14,6 polegadas concentram informação e serviços conectados, mas a marca manteve comandos físicos para as funções mais utilizadas.
Também há uma leitura prática no exterior. Os cantos dos para-choques, os revestimentos das cavas das rodas e algumas secções das portas foram concebidos para facilitar a substituição após pequenos danos, reduzindo o tempo de imobilização.
A Kia prevê alargar a gama a 23 variantes, incluindo chassis-cabina e conversões. É aí que o PV7 poderá ganhar verdadeira relevância: não como mais um furgão elétrico, mas como uma base industrial para empresas que precisam de adaptar o veículo ao seu próprio trabalho. A chegada ao mercado europeu está prevista para 2027. Até lá, faltará perceber os preços e as especificações finais.