Sector automóvel cai 86% em Abril

16 abril 2020
3min.

Um dos sectores mais afectados pela pandemia Covid-19 é, sem dúvida, o automóvel. Só na primeira quinzena de Abril, por exemplo, o mercado de ligeiros de passageiros e comerciais registou uma queda de 86%, enquanto nos pesados a perda foi superior, não estando ainda quantificada em percentagem.

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Desde o passado dia 1 de Abril e até dia 14 (inclusive), foram apenas matriculados 838 veículos, enquanto no período homólogo de 2019, tinham sido matriculados 6208. E há que ter em consideração que a maior parte destas matrículas correspondem a encomendas efectuadas antes de 16 de Março. Ou seja, a partir desta data, a queda foi sempre na ordem dos 80%.  No mercado de viaturas pesadas, a situação é mais complicada, porque depois daquela data as vendas estagnaram completamente!

Esta situação, leva-nos a concluir que o sector automóvel é, sem dúvida, dos mais afectados por esta grave crise pandémica. Por outro lado, e como consequência, temos uma perda de receitas por parte do Estado que, só nestas duas semanas, foi estimada em 15 milhões de euros.

vendas

A ACAP, entidade a quem a Eurotransporte recorreu para obter estes dados, propôs ao Governo a tomada de medidas para, por um lado, “minimizar o impacto desta crise” e, por outro “relançar a procura”. Estas propostas exigem um “plano de apoio ao sector automóvel”, como um dos mais afectados e que, até ao momento, ainda “não teve qualquer particular atenção do Governo, tal como aconteceu noutros sectores”.

A ACAP propõe um aumento, imediato, da linha de apoio à compra de veículos eléctricos que deverá ver a sua dotação aumentada em cem por cento.

Por outro lado, deve ser já equacionado (como está a acontecer noutros países) um plano de incentivo ao abate de veículos em fim de vida. Este plano deverá ter uma dupla aplicação. Por um lado, apoiar a retirada de circulação de veículos com mais de doze anos pela compra de um novo de baixas emissões e, por outro, permitir a troca de um veículo usado por outro que, embora usado, cumpra a Norma Euro de emissões mais recente.

Segundo apuramos junto de fonte da ACAP, esta continua a aguardar a resposta do Governo “à proposta de suspensão de pagamento de IUC, que já tinha sido por nós apresentada há três anos”.

Por último, e sempre com o propósito de ajudar o sector, a ACAP entende que “deverá ser criada uma linha de crédito específica para as empresas do sector com uma parte do capital a fundo perdido”.

De referir, ainda, que o sector automóvel é responsável por 21% do total de receitas fiscais, assim como por 25% das exportações de bens transacionáveis, para além de representar 19% do PIB e empregar directamente 200.000 pessoas.


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