---

"Não gosto de ficar com recados para dar"

06 dezembro 2019

Conheça Vítor Soares, Director-Geral da rede de oficinas da Euromaster, «Figura Mais» do Suplemento Mais Eurotransporte.

De trato formal, voz ponderada e discurso pausado, Vítor Soares recebeu a Eurotransporte nos escritórios da Euromaster, para uma conversa mais informal. Assumindo que costuma deixar como primeira impressão a sensação de ser "antipático e frio", fomos percebendo que essa imagem se desvanece ao longo da conversa. 

Quando confrontado com o facto de lhe irmos colocar algumas perguntas um pouco «fora da caixa» Vítor Soares respondeu que podia sempre "não responder". Mas a verdade é que não se «desviou» de nenhuma das questões e mostrou ser bastante franco e sem problemas em nos revelar os seus traços de personalidade, mesmo aqueles que podem ser considerados «menos positivos». "Sou muito exigente", começa logo por dizer, "ao ponto de ir ao stress com as pessoas que trabalham comigo". Deixa logo claro que é “decidido, directo, exigente e resoluto.

Preferindo a formalidade à informalidade, o director-geral da rede de oficinas Euromaster confessa também que quem não trabalha com ele "fica com uma primeira impressão de que sou antipático". Recorda que, num evento da Michelin onde teve a oportunidade de conviver um pouco com os colegas, lhe disseram: "afinal sabes rir, és simpático e extrovertido". Tirando a última parte, que não tivemos oportunidade de ver, confirmarmos que a simpatia e o riso fazem parte da sua personalidade. "O primeiro contacto é frio talvez por não conhecer quem é que tenho à minha frente, por isso prefiro ser mais reservado", esclarece.

A verdade é que sempre que a conversa foi orientada para o lado profissional, assumiu uma postura muito mais séria. São já perto de 30 os anos a trabalhar nesta área, a maioria deles passados no Grupo Michelin, onde desempenhou cargos em diferentes departamentos. Em 2018 assumiu as funções de director-geral da rede de oficinas Euromaster, num sector que considera estar " dinâmico e em mutação profunda, o que também nos dá uma certa ambição e entusiasmo". Ciente dos desafios que tem pela frente e responsável por uma rede composta por 70 pontos de venda, defende: "não queremos crescer só por crescer. Uma entrada na nossa rede tem de ser um processo win-win".

Admite ser "orientado para o resultado e para a forma" como este se alcança e, a comandar uma equipa constituída por oito elementos, define um líder como sendo alguém "que é seguido de forma voluntária, é respeitado por aquilo que representa e faz crescer". Não gosta de ser "polícia" com os elementos da sua equipa, estimulando-os a ser "autónomos, proactivos, a pensar «fora da caixa», sendo ainda importante que "tragam uma mais-valia para a empresa". Respeitando o lema da Euromaster, «Novo rumo», "temos de trabalhar no mesmo sentido, pelo mesmo objectivo e juntos seremos mais fortes".

 

Sempre disponível para o trabalho, uma vez que só não atende chamadas quando está a dormir, gosta de começar o dia de trabalho a tratar dos emails, até porque, "por experiência própria, fazer isso à noite dá mau resultado". E porquê? "Depende muito do estado de espírito e já aconteceu responder com o meu ímpeto e no dia a seguir fico um pouco aborrecido comigo". Esta é uma das razões que o leva a preferir o telefone ao email, comparando este último a um jogo de padel: "recebo o email, envio para outra pessoa. Resolvi o meu problema, mas o problema em si não está resolvido". Considera ainda que "hoje em dia trata-se de tudo por mensagem e isso não traz nada de bom, não é funcional, motivador e é impessoal".

Tira-o do sério a "falta de rigor na transmissão de informações; o ter de pedir duas vezes a mesma coisa; a desorganização e a falta de programação". Sendo alguém que gosta de planificação, não há sensação melhor do que "chegar ao final do dia com a missão cumprida e não ter que ir para casa a pensar naquilo que ficou para fazer".

E é nesta parte, quando começamos a falar do que acontece fora do escritório, que Vítor Soares nos mostra o seu lado mais relaxado."No final do dia, antes de ir para casa, gosto de estar com os meus amigos e não falar de trabalho", frisa. O "convívio" é algo fundamental na sua vida, razão pela qual prefere a cozinha à sala, "onde se pode petiscar, fazer companhia e beber um bom vinho".

Adepto de fazer caminhadas, prefere ir a voltar, gostando muito de desafios. Este traço da personalidade faz também com que prefira conduzir, mas só em sentido figurado, porque no sentido literal prefere ser conduzido.

Questionado se é um homem de novos ou velhos hábitos, indeciso, respondeu que é de ambos. "Gosto de novas formas de gestão, de trabalhar, ter uma mente aberta. Ao mesmo tempo, gosto de algumas formas reservadas da educação que tive, tem de haver cavalheirismo e respeito pelo outro ser".

Amante de livros, os que têm a História como tema são os que mais lhe despertam interesse. "Na minha fase de jovem gostava muito de Heinz Konsalik, que viveu no pós Segunda Guerra Mundial e é autor de um dos meus livros preferidos, «Uma cruz na Sibéria». Entre leituras mais recentes destaco «Os homens do Rei», de José Brandão".

A música é também uma parte importante da sua vida, recordando que, nos seus anos de juventude, os finais de tarde costumavam ser passados em grupo, com os amigos a tocarem guitarra. "Eu tentei tocar, mas não tinha jeito". Quanto a bandas preferidas a escolha recai sobre os Pink Floyd, "mas tenho um gosto musical abrangente", constata.

Pedimos-lhe para enumerar quais as suas qualidades, mas Vítor afirmou que não se sente "avalizado para responder a isso. Prefiro que sejam outros a fazê-lo". Mas quando lhe perguntámos pelos defeitos, foi rápido: "às vezes sou um pouco brusco e frontal e recolho dissabores. Não fico com recados para dar".

Rege a sua vida de acordo com os lemas «trata os outros como gostarias que te tratassem» e «respeita os compromissos». "Detesto o lema «viver um dia de cada vez»", exclama, porque "como exigente e estruturado que sou, tenho de ter tudo minimamente planificado".

O melhor conselho que já lhe deram foi "sê feliz" e, para que essa felicidade seja possível, confessa que tem de se sentir rodeado de seres humanos. "Por vezes gosto de estar sozinho, mas sabendo que tenho amigos e familiares à volta. É uma falsa solidão", brinca.

O bem-estar dos familiares é algo de extrema importância e Vítor Soares termina a entrevista dizendo que se, daqui a 20 anos, estiver tudo «orientado» com eles, o sonho é "fazer uma viagem e trabalhar um pouco na área do voluntariado. Dar algo de mim aos outros".


Tags

Recomendamos Também

Revista
Assinaturas
Faça uma assinatura da revista EUROTRANSPORTE. Não perca nenhuma edição, e receba-a comodamente na usa casa ou no seu emprego.