A norma Euro 7 vai levar a indústria dos travões a olhar para além da pastilha. Cerca de 80% das partículas emitidas durante a travagem têm origem no desgaste do disco, segundo a TMD Friction. É por isso que a empresa está a desenvolver soluções em que pastilha e disco são considerados em conjunto.
A TMD Friction afirma ter concluído uma gama de produtos de equipamento de origem (OE) compatível com os requisitos da nova legislação. Depois de assinar acordos com vários fabricantes de veículos, prevê iniciar a produção em série e os fornecimentos no próximo ano. A oferta será destinada a fabricantes que abastecem o parque automóvel europeu.
A gama inclui pastilhas low-met, de baixo teor metálico, e pastilhas NAO, orgânicas sem amianto, para utilização com discos de ferro fundido cinzento ou com revestimento de metal duro.
«Estamos orgulhosos de apoiar os principais fabricantes de veículos com uma gama completa de soluções de fricção, concebidas para cumprir os novos requisitos de emissões da Euro 7 sem comprometer o desempenho, o conforto ou a fiabilidade», afirma Christian Stolz, vice-presidente executivo de Vendas e Engenharia OE da TMD Friction.
O par pastilha-disco ganha importância
A Euro 7 é a primeira legislação europeia sobre emissões a regular também as que não provêm do escape, incluindo as partículas resultantes do desgaste dos travões e dos pneus. Para os veículos novos, os requisitos entram em vigor a 29 de novembro de 2026, no caso das novas homologações de tipo, e a 29 de novembro de 2027 para todas as novas matrículas.
No sistema de travagem, a redução das partículas não se resolve simplesmente retirando um componente da fórmula da pastilha. Cada matéria-prima tem de funcionar em equilíbrio com as restantes; uma alteração pode afectar a integridade do produto e comprometer características como o desempenho e a potência de travagem.
O disco é igualmente determinante. A interacção entre os materiais, as características das superfícies e o comportamento térmico influencia a quantidade de partículas libertadas. Por essa razão, a TMD Friction considera que as soluções terão de ser avaliadas cada vez mais como pares de pastilha e disco, em vez de componentes separados.
A empresa participa desde 2016 no grupo de trabalho do Programa de Medição de Partículas da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, dedicado à metodologia e aos ensaios necessários para medir as emissões de pó dos travões. Dispõe também de um dinamómetro próprio para ensaios de emissões, que lhe permite acompanhar os processos de desenvolvimento e validação.
Os ensaios continuam para o mercado de pós-venda
A Euro 7 abrange também o mercado independente de pós-venda, mas os requisitos específicos para este segmento continuam em desenvolvimento. A TMD Friction está a realizar ensaios e diz já ter identificado várias formulações que cumprem os limites de emissões.
A experiência acumulada no equipamento de origem deverá apoiar o desenvolvimento de produtos para o mercado de substituição. «Reduzir as emissões de pó dos travões é muito mais do que cumprir a lei: trata-se de tornar possível uma travagem mais limpa e de reduzir o impacto ambiental dos nossos produtos», afirma Clement de Valon, vice-presidente executivo do Mercado Independente de Peças de Substituição.
Com 145 anos de experiência e mais de 52 mil formulações desenvolvidas, a TMD Friction aposta na transferência de conhecimento entre os dois segmentos. Marco Loth, vice-presidente de Vendas Globais de Peças de Substituição e Gestão de Produto e I&D, afirma que a empresa está a preparar soluções para quando os requisitos da Euro 7 chegarem ao mercado de substituição.