A Garland apresentou o livro Garland 250 Years, uma obra que recupera a história de uma das mais antigas empresas em atividade em Portugal. Da comercialização de bacalhau, no século XVIII, à presença internacional nas áreas da logística, dos transportes e da navegação, o percurso da empresa acompanha dois séculos e meio de transformações no país.
A cerimónia, integrada nas comemorações dos 250 anos do Grupo Garland, reuniu a Administração, representantes diplomáticos e institucionais, empresários e convidados. A sessão foi aberta por Mark Dawson, CEO da Garland, e contou com intervenções de Ana Rita Ramos, CEO da Have a Nice Day, e de Bruce Dawson, antigo presidente da empresa e principal impulsionador da investigação histórica que deu origem ao livro.
A apresentação incluiu ainda as intervenções de Chris Barton, CEO da Câmara de Comércio Luso-Britânica, Joaquim Azeredo, antigo administrador da Garland, e Filipe Barros, Executive Manager da Supply Chain Magazine. Peter Dawson, também antigo presidente da empresa, encerrou a sessão com uma reflexão sobre o papel das pessoas na construção desta história.
A história da empresa e a do país
Fundada em 1776 por Thomas Garland, a empresa atravessou guerras, revoluções, mudanças de regime e crises económicas. O livro relaciona esses momentos com as decisões que marcaram a evolução da Garland e das famílias que estiveram à frente da sua propriedade e gestão: primeiro os Garland, depois os Dawson.
As invasões napoleónicas, a queda da monarquia e o 25 de Abril são alguns dos episódios que ajudam a contextualizar o percurso empresarial. A obra recupera também decisões tomadas em períodos de grande incerteza, como o investimento em novas instalações na Maia durante a crise económica de 2008-2012.
«O mundo entrou em recessão e a Garland foi contra a corrente e, desafiando a sorte, decidiu investir em novas instalações na Maia», recordou Teresa Ribeiro, jornalista responsável pela escrita do livro, ao referir um dos episódios que mais exigiu à equipa editorial a seleção entre 250 anos de acontecimentos.
O projeto começou há mais de três anos, quando a Administração da Garland desafiou Bruce Dawson a reunir as suas memórias e experiências. Ligado à empresa durante 50 anos, dos quais 25 como presidente, e atualmente presidente da Assembleia Geral, Dawson serviu de ponto de partida para a investigação.
Nos seis meses que antecederam a publicação, a Have a Nice Day reuniu documentos e testemunhos, realizou entrevistas e desenvolveu a pesquisa histórica. Entre as principais fontes estiveram os textos Dawson Story e Garland in Newfoundland, da autoria de Bruce Dawson, o arquivo histórico da Garland, arquivos municipais e obras de referência sobre a história portuguesa.
Foram entrevistadas 35 pessoas, num total de cerca de 35 horas de conversas. Entre os participantes estiveram antigos e atuais colaboradores, representantes de entidades empresariais, académicos e profissionais ligados à logística, incluindo representantes da Câmara de Comércio Luso-Britânica e da APAT – Associação dos Transitários de Portugal, bem como o professor Alcibíades Guedes, docente da Porto Business School e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Um legado feito por pessoas
Ao longo de 250 anos, a Garland esteve sob a propriedade e gestão de duas famílias. Essa continuidade atravessa a narrativa do livro, que procura preservar tanto os momentos decisivos da empresa como as experiências de quem contribuiu para a sua história.
No prefácio, Bruce Dawson resume o propósito da obra: «Este livro foi escrito para guiar o leitor através destes períodos marcantes e para mostrar como duas famílias conduziram a empresa pelos inúmeros desafios que enfrentaram».
Ricardo Sousa Costa, administrador da Garland com o pelouro do Marketing e Comunicação, destaca a dimensão coletiva do percurso: «Mais do que perpetuar um legado construído ao longo de dois séculos e meio, este livro é um tributo a todos aqueles que, geração após geração, deram vida à admirável história da Garland e contribuíram para moldar o seu futuro».