Quase dois anos depois de ter colocado o primeiro autocarro elétrico a ligar Lisboa ao Porto, a FlixBus decidiu duplicar a operação. O segundo veículo já está em circulação e mantém o modelo adotado desde setembro de 2024: um autocarro Yutong, explorado em parceria com a AV Feirense e carregado com energia fornecida pela EDP.
Com autonomia anunciada de até 400 quilómetros, o veículo é carregado no final de cada viagem nas instalações da EDP, em Sacavém. A recuperação da bateria dos 20% aos 100% demora, em média, duas horas e 45 minutos.
De acordo com a programação definida, cada autocarro permitirá evitar cerca de 150 toneladas de CO₂ por ano. Em conjunto, os dois veículos deverão representar uma poupança anual próxima das 300 toneladas.
Mais de 215 mil quilómetros sem emissões diretas
A decisão de reforçar a frota elétrica resulta dos primeiros dados de utilização do veículo que entrou ao serviço em 2024. Durante os primeiros 12 meses, o autocarro percorreu mais de 215 mil quilómetros sem emissões diretas de CO₂ e esteve operacional em 352 dos 365 dias.
Os 13 dias de paragem ficaram associados a intervenções de manutenção programada e ao apagão que afetou o país. Para a FlixBus, esta disponibilidade demonstrou que a propulsão elétrica pode responder às exigências de uma operação regular de longa distância, marcada por quilometragens elevadas e horários apertados.
“Estes dados comprovam a fiabilidade da solução e demonstram que os autocarros 100% elétricos são uma alternativa viável também no transporte de passageiros em rotas de longa distância”, afirma Tiago Cavaco Alves, diretor de Operações da FlixBus em Portugal.
O responsável destaca ainda o papel da AV Feirense e da EDP na implementação do projeto, que considera pioneiro no mercado ibérico. Os dois autocarros são, segundo a empresa, os únicos veículos 100% elétricos atualmente utilizados em rotas regulares de longa distância na Península Ibérica.
Infraestrutura continua a limitar expansão
Apesar dos resultados alcançados, a expansão deste tipo de operação continua dependente da disponibilidade de pontos de carregamento preparados para veículos pesados.
“Para que esta transição possa ganhar escala, é essencial garantir a existência de infraestruturas de carregamento para veículos pesados, localizadas perto dos terminais rodoviários”, sublinha Tiago Cavaco Alves.
A localização dos carregadores, a potência disponível e a compatibilidade entre os tempos de carregamento e os horários de exploração são fatores determinantes numa operação em que cada imobilização tem impacto direto no serviço.
Gonçalo Castelo Branco, diretor de Mobilidade Elétrica da EDP, considera que a entrada em operação do segundo autocarro demonstra que a eletrificação começa a ultrapassar a fase experimental.
“Na ligação entre Lisboa e Porto, um dos corredores rodoviários mais movimentados do país, este projeto contribui para reduzir emissões e reforça a confiança na eletrificação do transporte de passageiros”, afirma.
EDP supera quatro mil pontos contratados
A EDP dispõe de mais de quatro mil pontos de carregamento contratados na rede pública portuguesa, distribuídos por todos os distritos e por mais de metade dos concelhos do país.
Desde o início do investimento da empresa na mobilidade elétrica em Portugal, foram realizadas mais de 4,2 milhões de sessões de carregamento nos pontos ligados à rede pública. Segundo a EDP, a energia fornecida permitiu percorrer mais de 600 milhões de quilómetros e evitar a emissão de mais de 74 mil toneladas de CO₂ face à utilização de veículos com motor de combustão.
Presente em Portugal desde 2017, a FlixBus serve atualmente mais de 80 destinos. A empresa, fundada na Alemanha em 2013, opera serviços de autocarro e comboio de longa distância em 45 países e afirma já ter transportado mais de 500 milhões de passageiros.
Na ligação entre Lisboa e o Porto, porém, o avanço mede-se agora de forma mais concreta: dois autocarros, centenas de milhares de quilómetros e uma operação diária que procura demonstrar que a eletrificação também pode sair das cidades e cumprir distâncias mais exigentes.
Autocarros
20 julho 2026