Desafios da indústria dos transportes: Diesel

22 maio 2019

Laurent Débias, Director de Gestão de Produtos e Marketing na Thermo King na Europa, Médio Oriente e África, fala sobre restrições, regulamentos e as proibições do Diesel.

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Se abrir um jornal hoje, é provável que se depare com um artigo sobre gasóleo. O combustível, cuja utilização era outrora incentivada por se tratar de uma alternativa mais limpa e eficiente à gasolina, é agora visto como o principal culpado pelos níveis de poluição nocivos em muitas cidades europeias, o que tem levado os responsáveis pelas políticas a reagir. No presente artigo, propomo-nos a descobrir o que tudo isto representa para os profissionais dos transportes.

Por muito "europeia" que se considere a actual hostilidade contra o Diesel, na verdade, esta tem a sua origem na Califórnia. Ou melhor, na Universidade da Califórnia, onde, em 2014, um grupo de cinco cientistas encontrou discrepâncias entre as emissões de NOx em laboratório e em condições reais dos automóveis com motores Diesel. Isto deu origem a uma série de críticas de instituições públicas à marca de automóveis envolvida, demissões e grupos de pressão a formar parcerias com o intuito de forçar as autarquias locais a agir.

Foi neste momento que a directiva europeia relativa à qualidade do ar ambiente entrou realmente em vigor. Introduzida em 2008 e transposta para a legislação local em 2010, definiu um objectivo para as cidades europeias: trabalhar em prol de um ar mais limpo e de um melhor ambiente para todos. Mas, embora os alvos originais fossem os gases com efeito de estufa gerais e o CO2, o escrutínio público depressa se voltou para o Diesel, sendo impulsionado por histórias sobre os efeitos nocivos para a saúde atribuídos ao gás de escape com partículas (PM) e Nox. As críticas subiram de tom quando várias organizações argumentaram que as cidades são responsáveis pela protecção dos respectivos cidadãos e que têm uma clara responsabilidade de agir. As condições estavam, assim, criadas.

A maioria dos peritos concorda que as políticas urbanas antidiesel são agora irreversíveis, existindo apelos de ambos os lados do espetro político para que o combustível sofra restrições. Na verdade, muitas cidades estão agora do lado dos grupos de pressão ambientalistas, tendo a cidade de Londres emergido como um importante líder neste debate. Com um número de cidadãos que excede o da maioria dos Estados-Membros da UE, esta cidade está a revelar-se o laboratório perfeito para ensaios em estrada de novas diretrizes e disposições. Desta forma, seria recomendável que os profissionais dos transportes estivessem atentos à capital inglesa.

Estar à altura do desafio

Independentemente do ritmo das mudanças, navegar com êxito pela actual tendência da proibição do Diesel constituirá um desafio para os profissionais dos transportes. Sobretudo porque a indústria já tem uma grande quantidade de regras para cumprir, desde as limitações de ruído PIEK aos regulamentos relativos a líquidos de refrigeração e requisitos de desempenho para máquinas móveis não rodoviárias (MMNR) que afectam as unidades de transporte refrigerado.

Os controlos da Comissão Europeia sobre a descarga de óxido nitroso (NOx) e partículas (PM) para máquinas móveis não rodoviárias (MMNR) foram adoptados pela primeira vez em 1997 nos termos da Diretiva 97/68/CE com Directivas de alteração e níveis e requisitos mais rigorosos para os limites de emissões implementados ao longo dos anos.

Desde 1 de Janeiro de 2019, estão em vigor novos limites de emissão de gases e partículas poluentes para os motores de máquinas móveis não rodoviárias, conhecidos como fase V, e todos os novos motores colocados no mercado têm de cumprir esta nova norma.

A fase V para MMNR, Regulamento (UE) n.º 2016/1628 [3478], especifica os requisitos de emissões para todas as categorias de motores não rodoviários móveis de ignição por compressão (Diesel) e ignição comandada, substituindo a Directiva 97/68/CE e respetivas alterações. Enquanto as fases anteriores limitavam a massa global das emissões de partículas, a fase V impõe controlos mais rigorosos sobre as emissões e alarga o âmbito de aplicabilidade, adotando também os limites de emissões para o número de partículas (PN) para várias categorias de motores para MMNR.

Enquanto líder em soluções de controlo de temperatura de transporte, a Thermo King, já em 2018, optou por se antecipar e cumprir os prazos do regulamento da fase V, continuando a inovar e mantendo o mesmo desempenho líder de mercado. O fabricante de unidades de transporte refrigerado tomou medidas proactivas para garantir que todas as suas unidades de camiões e atrelados apresentam os motores GreenTech™ com certificação da fase V de menores emissões para MMNR actualizados, que estão em total conformidade com a letra e o espírito do regulamento.

Contudo, no final, são os gestores de transporte e frotas que têm de estar à altura do desafio de cumprir os regulamentos locais e da UE para manter as suas frotas e actividades comerciais preparadas para o futuro.

Implicações futuras para os transportes

Embora os intervenientes da indústria estejam a exercer pressão para que as autoridades municipais tenham uma abordagem coordenada e bem definida, podemos prever com exactidão o que vai acontecer no sector dos transportes? Um pressuposto relativamente seguro é que as alterações não serão tão drásticas como algumas vozes pretendem fazer crer. E, embora os veículos comerciais ligeiros totalmente eléctricos estejam gradualmente a efectuar a sua há muito anunciada entrada no mercado, o elevado custo dos camiões pesados totalmente eléctricos está a provar ser um obstáculo significativo à sua adopção no sector dos transportes, onde os orçamentos são muito restritos. Além disso, continuamos a aguardar por uma infraestrutura pública que permita que, em breve, ocorra uma mudança ao nível da indústria.

No entanto, é mais provável que verifiquemos um desenvolvimento gradual, com cada tecnologia de motores a estabelecer o seu próprio lugar único na cadeia de abastecimento. A escolha entre Diesel, híbrido ou eléctrico resumir-se-á a uma porção de factores operacionais: a proximidade de zonas habitacionais ou densamente povoadas e a realização de transportes de longo curso ou no centro das cidades. E isto já está a acontecer actualmente, a mudança dever-se-á apenas ao facto de os limites para cada tecnologia passarem a ser aplicados de forma mais rigorosa.

No que diz respeito ao transporte refrigerado, a situação torna-se mais complicada. Aqui, as empresas de transportes têm de avaliar quais as tecnologias de refrigeração que funcionam com que tipo de veículo, bem como os regulamentos específicos que se aplicariam a esse tipo de máquinas.

Por agora, os profissionais dos transportes podem estar mais tranquilos em relação ao facto de os seus investimentos em transporte refrigerado não se tornarem obsoletos de um dia para o outro. Mas será fundamental estar atento às novidades das tecnologias disponíveis de motores e transporte refrigerado.

Enquanto líderes no fornecimento de soluções de controlo de temperatura de transporte, a Thermo King e a Frigoblock possibilitam que os gestores de transporte e frotas estejam à altura destes importantes desafios. Ao continuarem a inovar as suas soluções de controlo de temperatura de transporte, ambas as marcas se comprometem a construir um futuro de transportes e entrega de mercadorias numa cidade sem smog, congestionamentos ou grandes quantidades de ruído. Prevemos um futuro em que os transportadores poupam dinheiro gerindo as suas operações de modo mais eficiente, consumindo menos combustível e reduzindo as emissões dos gases de escape, as emissões de CO2 e o ruído. A mais recente unidade totalmente eléctrica da Thermo King, a E-200, já se destaca como prova dessa ambição.

 

*O artigo é da autoria de Laurent Débias, Director de Gestão de Produtos e Marketing na Thermo King na Europa, Médio Oriente e África.

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